Mais de 34 mil deficientes buscam inclusão, em Taubaté

02/07/2008

Ao entrar numa sala pequena cheia de livros, dentro da Escola Pró-Ativa, é possível escutar o computador "conversando" com o jovem presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Taubaté, Aguinaldo Dátola.

Aguinaldo tem 25 anos e trabalha há oito com a questão da acessibilidade. Ele, que é deficiente visual do olho esquerdo desde o nascimento, perdeu a visão do olho direito com dois anos devido à toxoplasmose. Porém, parece ter desenvolvido outros sentidos e percebe melhor as coisas do que outras pessoas.

De acordo com o censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2000, cerca de 14,5% da população brasileira sofre de algum tipo de deficiência física, motora, mental, auditiva, visual ou múltiplas. "Devemos ter, de acordo com o IBGE, aproximadamente 34 mil pessoas com alguma deficiência na cidade", diz Dátola.

O conselho funciona há pouco mais de um ano e pretende trabalhar junto à Prefeitura e aos empresários. "Tem muita coisa para ser feita pelo poder público e iniciativa privada. Ele funciona mensalmente por meio de reuniões. Os conselheiros se reúnem e discutem as políticas que envolvem estas questões no município. As pautas são levadas conforme a necessidade da demanda, por isso é importante que a população saiba trazê-las", explicou Dátola.

Para o chefe do Departamento de Arquitetura da Universidade de Taubaté, Moacyr Paulista, o problema da acessibilidade tem ganhado repercussão recentemente. "A questão tornou-se lei e a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) aborda a obrigatoriedade dessa norma nas apostilas. Hoje é obrigatório que o cadeirante possa acessar edifícios e prédios públicos."

Segundo Dátola, várias barreiras precisam ser quebradas, além das arquitetônicas. "São lixeiras, rampas, várias sinalizações para o deficiente visual e para o deficiente auditivo que precisam ser melhoradas aqui na cidade. Para os surdos, a comunicação em libras. A acessibilidade é bem ampla, tem também a parte de Internet e dos meios de comunicação."

O vereador Angelo Filippini (PSDB), que é engenheiro civil, disse que se envolveu com a acessibilidade desde o início do mandato em 2005 em razão de conhecer a NBR 9050 (Norma Brasileira de Acessibilidade). "Concluí que poderia utilizá-la para adequar o município para essas pessoas, por ser uma questão de direitos humanos", explicou.

O centro de Taubaté é uma área de difícil acesso para pessoas com mobilidade reduzida (deficientes visuais, físicos, gestantes e idosos), pois as calçadas e vias são estreitas, obrigando pedestres a andarem na beira da rua.

"No centro tem postes, calçadas estreitas, carros estacionados no meio fio. A pessoa que tem necessidades especiais não consegue se locomover. Não tem solução para o problema do centro, não tem jeito de aumentar as calçadas, pois a área foi projetada há mais de 200 anos", argumentou o arquiteto Moacyr.

Os eventos de cultura, os teatros, cinemas e estabelecimentos comerciais devem estar adaptados para receber pessoas com mobilidade reduzida; assim como a saúde, com tratamentos especializados; o transporte, trabalho, esporte, lazer e a educação, que deve ser inclusiva, conforme faz o Departamento da Educação da Prefeitura com o projeto "Integra".

O projeto reúne alunos com necessidades especiais e os integra à escola comum. "O que notamos é a necessidade da profissionalização dos professores pelos métodos libras e braille. Estamos recebendo reclamações por parte de alguns munícipes sobre as escolas, porque os professores não estão ainda adaptados para lecionar em libras."

O decreto-lei n° 5296/2004 trata da adaptação da frota de ônibus que deverá ser feita em todas as cidades até 2014. "O cumprimento é a longo prazo, por isso as empresas não investem no transporte agora", lamenta o presidente do Conselho dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Apesar das leis serem criadas para garantir direitos aos cidadãos, ainda existe o descumprimento e descaso. Portanto, qualquer deficiente que se sentir desrespeitado e presenciar uma infração deve procurar um advogado, e, ainda, representar sua queixa junto ao Ministério Público Estadual ou Ministério Público Federal.


Projetos do Legislativo


Visando atender à demanda do deficiente, vereadores de Taubaté fizeram projetos e requerimentos sobre a acessibilidade, sendo que na sessão do dia 27 de maio foram votados algumas dessas proposituras.

Uma dessas é de autoria do presidente da Câmara, vereador Luizinho da Farmácia (PR), e obriga os edifícios a disponibilizarem cadeira de rodas em suas dependências.

Também foi aprovado o projeto apresentado pelo vereador Valdomiro Silva (PTB), que trata da isenção de IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) para deficientes físicos, proprietários de um único imóvel residencial de uso próprio.

Foi aprovado ainda o projeto de autoria do vereador Rodson Lima (PP), que dispõe sobre o acesso e a permanência de cães guias treinados acompanhando deficientes visuais em estabelecimentos comerciais, de prestação de serviço, de ensino público, de lazer, inclusive clubes, áreas públicas e entradas sociais de condomínios e conjuntos residenciais.

Filippini citou alguns projetos de sua autoria. "Em algumas coberturas de paradas de ônibus de nossa cidade já existe espaço para cadeirantes. Criei o Dia Municipal da Síndrome de Down e transformei a Assid (Associação para Síndrome de Down de Taubaté) em entidade reconhecida de utilidade pública municipal."

TAGS:
Mais de 34 mil deficientes buscam inclusão, em Taubaté , inclusão, curriculos, empregos, vagas, lei, contratação, deficientes, pessoas com deficiência, mercado de trabalho, multa de empresa que não cumpre lei de cotas, lei de cotas 8213

Entre em contato conosco

Fale com nossa equipe por região

São Paulo

(11) 3042-8535

Rio de Janeiro

(21) 4042-8095

Paraná

(41) 3014-0632
Contato via WhatsApp