A indústria cinematográfica e as pessoas com deficiência (PCD)

A indústria cinematográfica e as pessoas com deficiência (PCD)


Mais do que entretenimento, o cinema é uma poderosa ferramenta de diálogo e construção social.

Nas telonas, podemos nos informar e nos sensibilizar com realidades diversas, repensando a necessidade de mais espaços de inclusão social. O problema é que a indústria cinematográfica faz pouco uso do seu potencial representativo e acaba por se tornar um alarmante retrato da sociedade contemporânea. Por exemplo, a escassez de protagonistas negros, revela o racismo estrutural no qual estamos inseridos, e o pouco espaço e criatividade nas temáticas femininas aponta para o machismo vigente.

No caso de pessoas com deficiência, a situação é ainda mais crítica: dentre todas as minorias, eles são a que possui menos espaço e representatividade em Hollywood.

Um estudo realizado pela Escola de Comunicação e Jornalismo da Universidade do Sul da Califórnia, concluiu que PCDs são sub-representados pelo cinema norte-americano.

Dos cem filmes de maior orçamento em 2015, apenas 24% apresentavam personagens deficientes; mesmo num país com 57 milhões de pessoas nessas condições.

O dado se torna mais alarmante quando observamos que, 95% das personagens com deficiência são interpretadas por atores e atrizes que não possuem as mesmas limitações na vida real. Além de minoria menos representada, as pessoas com deficiência também formam o grupo com menos oportunidades de trabalho nas telonas, segundo a Rudeman Family Foundation.

Na Inglaterra, o quadro é semelhante: de acordo com a Irish Examiner, apenas 2,5% dos protagonistas de programas populares, como séries, apresenta alguma deficiência. E 8 entre 10 PCDs não se sentem representadas pelos retratos produzidos.

Como qualquer empresa, a indústria cinematográfica também possui - apesar de não exercer - responsabilidade social, principalmente por seu caráter comunicativo e massivo. Promover a inclusão neste ambiente é mais do que empregar pessoas com deficiência, é levar uma mensagem de conscientização e sensibilização para seu público e se tornar uma fonte de representatividade e empoderamento das minorias.

Qual é o filme que você quer ver? Aquele que reproduz e dissemina os preconceitos cotidianos do nosso contexto social ou aquele que se compromete com a educação de seu público, que é inclusivo e representativo?

A responsabilidade passa um pouco por todos nós. Se o cinema educa seus espectadores, nós também podemos educar o cinema! Invista em filmes com protagonistas pertencentes às minorias, busque conhecer mais sobre o trabalho das pessoas com deficiência, ainda que sejam poucos os que tiveram oportunidades. Admire quem está no mundo para fazer dele um lugar melhor, em vez de discursos e narrativas degradantes, que não se comprometem com potencial da diversidade.


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