Cresce número de vagas para pessoas com deficiência
As empresas brasileiras contrataram nos cinco primeiros meses do ano mais pessoas com deficiência do que durante todo o ano passado. Segundo dados de Delegacia Regional do Trabalho de São Paulo (DRT/SP), foram abertas 47.044 vagas contra 35.782 em 2005. “A fiscalização mais severa da Delegacia Regional do Trabalho é a grande responsável por esse aumento no número de vagas abertas”, acredita o diretor de comunicação do Instituto Paradigma, Renato Lourente.
Segundo ele, muitas das vagas ainda não estão de acordo com o grau de estudo e experiência do candidato. “Ainda se tem a idéia de que o portador de deficiência não pode fazer nada”. Lourente revela que muitas ainda ficam receosas em deixar que o portador assuma um cargo de maior responsabilidade devido a sua deficiência. “Comparo esse processo de emprego com o das mulheres que, aos poucos, foram conseguindo seu espaço no mercado de trabalho”, lembra.
Na opinião do diretor do instituto - que trabalha com a inclusão de pessoas com deficiência, a lei de cotas foi fundamental para portadores de deficiências passassem a ser vista como um trabalhador igual a qualquer outro. A lei 8.213, de 1991, determina que para cada 100 funcionários a empresa contrate 2% de pessoas com deficiência.
A falta de informação sobre deficiência - seja ela mental, física ou visual - atrapalha a abertura do mercado de trabalho para os deficientes. “Na realidade, as empresas não sabem o que é deficiência e muito menos sabem lidar com ela”, afirma Lourente. A acessibilidade é outro problema encontrado pelas empresas e pelos deficientes. A falta de ônibus, calçadas e prédios adaptados para os deficientes dificulta ainda mais o ingresso desse grupo no mercado de trabalho.
O diretor do Instituto Paradigma ressalta que a preparação dos funcionários é fundamental para receber os novos colegas. ”Muitas vezes a falta sensibilização é a principal barreira na empresa”, alerta. Quando acontece a sensibilização todos passam a saber lidar com o portador de deficiência.
A entrada da pessoa com deficiência no mercado de trabalho estimula o mercado a crescer pois aumenta o poder aquisitivo desse grupo. Além disso, ameniza o preconceito existente contra o deficiente. “A gente precisa aprender a conviver com a diversidade", recomenda.